Software Livre e a concorrência saudável

Durante uma certa discussão à respeito do SL com alguns profissionais, surgiram argumentos de que a concorrência não faz parte deste mundo, mas a verdade não é esta.

A concorrência pode ser pensada por alguns como algo ruim, e especificamente falando em SL, poderia funcionar como elemento descentralizador diante de uma determinada solução, como por exemplo, a idéia de investir em uma nova solução de http em relação ao Apache.

Muitos já devem estar pensando: “Esse cara quer reinventar a roda”, mas na verdade foi apenas um exemplo simples, desconsiderando a robustez e tempo de desenvolvimento da equipe da Apache Foundation, porém nada é impossível.

O fator positivo na concorrência, e o principal na minha opinião, são os grandes esforços em se melhorar as soluções propostas por cada desenvolvedor e os grandes esforços da comunidade em fazer o projeto alavancar e ser usável. E com isso não é de se espantar a diversidade alarmante de projetos provocada por estes esforços.

Soluções são iniciadas, alteradas, rebatizadas e redistribuídas. Isto faz com que o nicho mercadológico venha à ser cada vez mais rico e venha a suprir as necessidades dos usuários diante de tantas novas opções.

Vale ressaltar a naturalidade com que isso acontece, e que o entusiasmo e vontade dos desenvolvedores não impõem limites no ato da criação, inaugurando-se então um ciclo de criatividade espantoso na busca da excelência.

A riqueza e a tangência do SL só existe pela prática da “concorrência saudável”, ou seja, é mostrar o melhor e competir pela qualidade, desconsiderando as práticas maléficas que algumas empresas proprietárias se sustentam.

A opção da escolha é sinônimo de liberdade, do multiculturalismo atual, e é questionando com fundamentação que continuamos mantendo este ciclo e sendo os principais responsáveis pelo sucesso das idéias inteligentes.

Cada um defende o seu ponto de vista, e quanto mais pontos de vista, maior a análise que podemos fazer. São milhares de soluções baseadas em milhares de tecnologias e utilizadas por milhares de pessoas.

A concorrência aqui se resume em uma competição, onde todos se exercitam diariamente para chegar ao primeiro lugar. O primeiro lugar é o mais difícil de se manter, pois a cada hora um obstáculo é colocado e devemos estar preparados para vencê-los.

Estratégias de um centralizador

Na semana em que se finaliza mais um FISL a Microsoft lança uma nova estratégia para ajudar o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. Mas talvez a estratégia seja inversa.

Segundo a notícia publicada no IDGNow, a Microsoft começará à vender um pacote de software (Windows+Office) por apenas 3 dólares. Este preço tão baixo impressiona muita gente, mas quando a esmola é demais o santo desconfia.

Alguns anos atrás o Linux era apenas mais um fato irrisório para a Microsoft, pois com o domínio centralizador da empresa o Linux não era visto como um elemento de competição, ou seja, era mais um sistema utilizado por radicais e que não daria certo.

No início do Linux as coisas realmente eram difíceis, e muita gente tinha que ter pulso firme para não desistir dele, pois o suporte aos hardwares e a documentação ainda eram muito escassos e várias incertezas circulavam em cima disso.

Mas a persistência e vontade de ter um Mundo onde a tecnologia não estivesse centralizada na mão de uma única pessoa, contribuiu para que muitas pessoas dedicassem parte de seu tempo tentando fazer as coisas mudarem.

O que era um projeto de faculdade virou um modelo de negócio muito bem sucedido.

Muita coisa foi evoluindo e mais cabeças foram percebendo a evolução do sistema, até o ponto de pesos pesados como a IBM entrarem neste negócio.

Talvez este tenha sido o maior marco na História do Linux, pois a repercussão em cima deste fato foi absurda, e neste ponto inicia-se a batalha contra quem se atrevesse à investir no pingüin.
Processos da SCO contra a IBM, políticos se doendo pela Microsoft e muito marketing tentando levar o Linux para o abismo.

Era tarde demais e a profecia de Stallman se concretizava.
Hoje são mais de dez anos com milhares de pessoas pensando em milhares de soluções comportadas pelo Linux.

Países em desenvolvimento como o Brasil tem se destacado na mídia e vem se tornando ícone tecnológico, e a descentralização do mercado de software vem deixando seus grandes pólos. Claramente podemos ver estes fatos e entender a então estratégia da Microsoft em ajudar os países emergentes.

O grande ócio é manter a dependência do Mundo em seus produtos, sejam eles caros ou baratos. A Microsoft durante muito tempo tenta passar esta política social e de quem se preocupa com os problemas dos países pobres, mas o egocentrismo tecnológico e a tentativa de domínio sobre o que é melhor para as pessoas é o que compromete toda esta estrutura.

Estamos à tanto tempo batalhando por uma nova vida, um mundo mais socialista, onde as coisas deveriam ser bem divididas, tentando tirar esta corda do pescoço que tanto nos sufoca, e na hora que damos um pontapé inicial para que isto aconteça, os donos da verdade tentam ser solidários.

Uma hora esta onipotência camuflada começa à se desmembrar, assim como está acontecendo, e as medidas para mantê-la começam a ficar desesperadoras e apeladoras. Percebem o fim ao que se chegou este último pronunciamento. Bondade ou medo?

Espero que os líderes destes países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, consigam visualizar toda esta falcatrua e novamente virem as costas à Microsoft.

Não é necessário ser nenhum especialista político para dizer isto, pois os fatos são claros. Só não vê quem se passar por cego.